Por Fernando Booyou

Um misto de emoções. Tanto no que pretende ser passado pelo filme quanto no que sentimos. Uma Família de Dois, que estréia essa semana nos cinemas, é difícil de rotular. Não porque seja um filme profundo ou multifacetado. Mas sim porque é bipolar. Sim, o filme precisava ter mais controle de suas emoções.

De início, parece mais um desses filmes que tem um homem imaturo, que age como um adolescente, e que agora tem que aprender a ser pai. O tipo de argumento sempre presente no currículo de qualquer comediante que se dispõe a fazer filme família. Adam Sandler mesmo tem filme assim. E se não fosse o fato do filme ser francês, quem assiste poderia jurar que se trata de um destes filmes brasileiros de fabricação em série. Parece, inclusive, que este filme, que na verdade já é uma adaptação do original mexicano Não Aceitamos Devoluções, também será adaptado para uma versão nacional. Por sinal, este é um problema no filme: a dificuldade de se definir que gênero deseja seguir. Há uma luta constante entre ser comédia e drama que não soa orgânico. A direção é de Hugo Gélin, mas parece que são duas pessoas distintas no comando e que não se conversam.

Samuel (Omar Sy, conhecido por Intocáveis) vive na praia sem levar a sério as responsabilidades. Atrasa trabalho, encanta clientes, enrola sua chefe, amigos, peguetes usando da sua “genteboísse”. Ele é tão gente boa que organiza uma balada (no local que nem é dele, claro) que devia ter acabado 1h, mas que foi até 5h da matina tocando uma única música a noite inteira (sério, umas 8 horas de festa tocando “uu-uhu-hu-uu-uu-uhu-uu Barbra Streisand”. Imagine!!! Parece que não tiveram verba para comprar mais de uma música, menos ainda para uma que fosse atual). No dia seguinte, depois de acordar ao lado de duas beldades (isso tudo está longe de ser o único clichê do filme), uma surpresa. Uma ex-rolo aparece com uma criança que ela diz ser dele. Ai começa uma sucessão de pastelões típicos do “largar de ser moleque para aprender a ser pai”. Mas, de repente, novos tons começam a ser apresentados, o que seria um ponto positivo arrasador, se tivesse sido bem trabalhado.

Agora, apoiando o enredo no drama, temos um Samuel mais maduro (mas nem tanto), criando sozinho uma filha de 8 anos, depois de ter mudado drasticamente sua vida em nome da paternidade. Mas este também está longe de ser o último drama do filme. Tem outras reviravoltas, mas nenhuma que seja impossível de prever. Temos desde lutas pela guarda até situações que servem para questionar o que é paternidade ou o que é uma família. O filme tem seus momentos, mas que se perdem em uma montanha-russa de sentimentos que não entram em acordo. É Kramer versus Kramer e O Paizão e Em Busca da Felicidade misturados em um liquidificador, que tenta ser inovador, mas acaba tendo o mesmo sabor de tudo que já foi feito.

Sem muita novidade, Uma Família de Dois até compensa como entretenimento. Mas sem trazer ou fazer grandes revoluções na forma que o espectador tem de encarar assuntos familiares e suas complicações. O longa ainda se permite ser clichê até o último segundo, quando decide terminar tudo falando o nome do filme no final. “Demain tout commence”. Amanhã tudo começa.

Nota: 6,0

 

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