por Johnny Ribeiro

Talvez erroneamente classificado como comédia, Demain tout commence conta a história de Samuel (Omar Sy – “Os Intocáveis”,”X-Men Dias de um Futuro Esquecido”), um cara que vive a vida de forma bem descontraída e irresponsável até que uma recebe uma visita inesperada de Kristin (Clémence Poésy – “Harry Potter”, “The Tunnel”) que o deixa com uma filha de 3 meses. Dirigido por Hugo Gélin com a participação de Antoine Bertrand.

Omar Sy manda DEMAIS nesse filme. Todo o crescimento durante o arco do personagem é ótimo e não soa forçado em momento algum. Ele consegue passar total sentimento tanto em cenas leves e descontraídas (cenas que talvez levem as pessoas a classificarem o filme como média, o que eu discordo veementemente) quanto em cenas mais fortes e pesadas. Clémence Poésy poderia ter sido MUITO melhor. Não que ela seja uma má atriz, mas o papel exigia mais dela do que ela entregou, principalmente nas cenas mais pesadas. Antoine Bertrand faz algumas cenas legais, mas depois de 2 ou 3 vezes fazendo a mesma piada ficou meio sem graça e em favor dessas piadas, parte do seu personagem não foi tão bem explorado quanto podia, mas aí não é muito culpa dele na minha opinião.

Se você odeia clichês ou espera uma história inédita nem se dê o trabalho de assistir. Não digo isso por ser um remake de um filme mexicano (Não aceitamos devoluções), mas por todo o tema tratado de pessoa irresponsável virando adulto já ter sido explorado em outros filmes antes. O filme é cheio de clichês, mas por incrível que pareça não sofre por isso. 90% da história é previsível, sim, mas você sente fortemente tudo que está sendo passado. Não sei dizer se foi a atuação do Omar Sy ou a direção do Hugo Gélin, mas poucos dramas me passaram tanto sentimento quanto Uma Família de Dois. Eu fiz um texto uma vez sobre Southpaw e como um filme clichê pode ser sim uma boa experiência, principalmente quando é bem produzido e atuado. Até hoje, eu só me lembro de um filme que me fez chorar de fato que foi Uma Lição de Amor (se você não chorou vendo aquilo pode procurar um médico porque você não tem coração) e 7 Minutos para Meia Noite me fez derramar uma lágrima. Esse filme não chegou a tanto mas talvez tenha sido uns do que chegaram mais perto.

Uma reclamação que eu vi não só da outra review do site (que por sinal está muito boa! Se você ainda não viu aproveita!) mas em outras reviews na internet é que o filme flutua muito no tom dele. Filmes podem ter mais de um tom e serem bons. Os trabalhos do Scorsese por exemplo são cheios de tons misturados e nem de longe são ruins. Sim, eu sei que eu critiquei isso na review de Colossal, mas é porque lá essa mistura não funciona, o que definitivamente não acontece aqui. Sim, eu sei que pode parecer que Uma Família de Dois e O Círculo tem as mesmas qualidades e problemas pelo o que eu escrevi antes (boa atuação e produção e história fraca) mas além de O Círculo ter potencializado isso, a história de Uma Família de Dois não é ruim. É clichê, já vimos antes, mas é uma boa história. Os personagens têm arcos bem definidos e críveis (tirando uma ou outra coisa que se eu falar é spoiler), a história é tocante e bem escrita e tem pouquíssimas situações fora do normal (aquelas que te fazem sair da suspensão de descrença).

Apesar da classificação sendo comédia/drama, não veja esse filme esperando uma comédia. Você definitivamente vai se arrepender. Não concordo nem um pouco com essa classificação. Pra mim é um drama e só. As vezes o tom do filme fica mais leve e pode se entender como comédia, mas eu acho meio forçado.

Nota: 8,5/10

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