por Johnny Ribeiro 

Quando Tony (Johnny Massaro) volta da capital após passar alguns anos estudando, seu pai Nicolas (Vincent Cassel), um imigrante francês, vai embora no mesmo trem que ele. Com ajuda do amigo do seu pai, Paco (Selton Mello) e de sua amiga Luna (Bruna Linzmeyer), ele precisa aprender a conviver com o abandono sem motivos de seu pai e viver sua própria vida. Dirigido por Selton Mello, com a participação de Bia Arantes e Ondina Clais Castilho. Baseado no livro Um Pai de Cinema de Antonio Skármeta.

Que o Selton Mello é um dos melhores atores brasileiros de todos os tempos poucas pessoas discordam. Sua carreira como diretor pode estar apenas começando, mas ele já se mostrou um excelente nome para o cinema brasileiro. O Filme da Minha Vida é mais uma prova de que filmes brasileiros têm potencial, falta só o povo brasileiro querer assistir. Johnny Massaro vive um personagem extremamente complexo e em várias cenas, apenas com expressões faciais e poucas falas, mostra uma habilidade excepcional. Bruna Linzmeyer no início do filme não convence muito, mas depois mostra uma boa performance, mas esse começo fraco pesou pra personagem no geral.

Como o próprio Selton Mello disse na pré-estreia em Brasília, é muito difícil competir com os filmes gigantes americanos como Homem Aranha, Transformers, entre outros. Eles têm valores de produção e posição no mercado muito mais fortes que o Brasil. As únicas armas que o cinema brasileiro tem é a sua capacidade de contar uma história que faça o espectador sentir o que está se tentando passar. Esse filme consegue passar essa sensação de forma maravilhosa. Mesmo coisas que parecem incomodar à primeira vista como o excessivo uso de planos fechados nos olhos dos atores ou a exposição através de narração muito longa do início do filme tem um sentido pra história e encaixa muito bem no longa. A fotografia do filme é impecável dá exatamente o ar que o filme precisa pra contar sua história. O Filme da Minha Vida é bastante intenso do começo ao fim, mas seus alívios cômicos não ficam forçados e nem fora de lugar e são muito bem feitos. Esse é um daqueles filmes que você leva além do cinema (ou da televisão, ou do computador, sei lá onde você vai ver ele) e te faz refletir sobre várias coisas no mundo moderno.

Apesar de poucas, algumas cenas sofrem por não fazerem tanto sentido quanto as outras. Em um filme onde 95% das “establishing shots” estão ali por um motivo, os 5% que sobram acabam pesando mais do que pesariam em um filme menos intenso e complexo. A trilha sonora, apesar de ser muito boa na maior parte, infelizmente acaba sendo um pouco intrusiva em certos momentos a ponto de ser mais importante do que se está sendo passado. Isso pode até ser um recurso proposital, mas quando toca uma música em francês num filme nacional, esse argumento vai por água a baixo. Apesar de fazer parte do que Mello quis passar com esse filme, não sei se gostei de como a introdução foi feita. Várias falas ali poderiam ter sido cortadas e mostradas sem perder essa ideia que o filme quer passar. Não só ali, mas alguns diálogos parecem ser mais longos que o que seria normal, talvez pra tentar passar alguma outra coisa através das expressões dos atores, mas isso não funcionou o tempo todo.

Valorize o cinema nacional! Muitos filmes brasileiros são bons e só conseguem crescer se as pessoas forem no cinema prestigiar esse trabalho!

Nota: 9/10

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