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por Johnny Ribeiro

No início da Segunda Guerra Mundial, dois irmãos judeus, Joseph (Dorian Le Clech) e Maurice (Batyste Fleurial) vivem tranquilamente em Paris. Com o avanço do exército alemão na França, agora eles precisam lutar juntos pra fugir dos nazistas e encontrar sua família novamente. Dirigido por Christian Duguay com as participações de Patrick Bruel e Elsa Zylberstein. Baseado na autobiografia de Joseph Joffo.

É sempre uma surpresa agradável ver atores mirins mandando bem. Dorian Le Clech segura muito bem o filme e se destaca mesmo entre atuações boas. A forma com que ele mostra a evolução do personagem é simplesmente genial para um garoto tão jovem. Batyste Fleurial, apesar de não ter tanto espaço quanto Dorian, entrega uma excelente performance. Patrick Bruel brilha como o pai dos meninos e mostra um personagem muito forte. Com certeza uma das melhores performances do filme (que realmente não tem ninguém mandando mal). Mesmo a personagem da mãe da família, vivida por Elsa Zylberstein, é muito bem representada apesar do pouco tempo de tela.

O filme é contado todo na visão do irmão mais novo, Joseph (sim, o autor do livro), e dá um foco bem grande na relação dele com o irmão Maurice, além do crescimento dele diante da situação toda. Todas as sensações das crianças que protagonizam o filme são passadas muito bem. Seus momentos de medo, alegria, confusão, são todos sentidos pelo espectador ao decorrer da jornada do personagem, não só pela narrativa, mas pela ambientação de forma geral. O crescimento dos personagens, não só dos irmãos, mas dos pais deles, é quase palpável durante o filme. Filmes que falam do holocausto sempre precisam focar no medo e incerteza de seus personagens (por motivos óbvios), mas Un Sac de Billes mostra algo além, mostrando momentos mais leves e de esperança, sem perder o sentimento de caos da Segunda Guerra Mundial. A fotografia muda de acordo com o necessário para transmitir a gravidade ou leveza da situação que os irmãos se encontram, assim como a trilha sonora.

Como se trata de uma história real, é meio complicado falar de problemas que eu tive com a história do filme. Porém, em uma única cena do filme, é visto algo que os meninos não tinham como saber e isso não pesou na história. Depois dessa cena, ao lembrar de outras cenas que aconteceram antes, eu senti falta de algo a mais sobre algumas pessoas que os ajudam na vida deles. Alguns personagens tomam ações que parecem sem sentido e algumas coisas que o pai dos meninos diz pra eles sobre confiar em estranhos perde o sentido. Ok. Do ponto de vista dos irmãos, de fato não teve sentido. Essa leve escapada do formato do filme poderia encaixar muito bem da mesma forma que poderia estragar tudo. A falta de coragem em explorar algo a mais foi sentida nesse aspecto. O filme acabou se fechando muito na visão do irmão mais novo. Mesmo algumas coisas que acontecem fora das câmeras com o Maurice poderiam ter sido mostradas. Os outros irmãos parecem nem importar tanto assim.

É um filme muito bom e bonito de se ver, com vários momentos memoráveis e tocantes que pecou em pequenos detalhes que não são facilmente ignorados.

Nota: 8/10

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