017010

por Johnny

Após a morte de Superman (Henry Cavill), uma nova ameaça surge quando o Lobo de Estepe (Ciarán Hinds) resolve invadir a Terra. Cabe agora a um mais humano e mais leve Batman (Ben Affleck) e Mulher Maravilha (Gal Gadot) juntarem os já previamente mencionados Flash (Ezra Miller), Cyborg (Ray Fisher) e Aquaman (Jason Momoa) para poderem salvar a Terra mais uma vez. Dirigido por Zack Snyder e Joss Whedon. Com a participação de J. K. Simmons, Amy Addams e Diane Lane.

A primeira coisa que precisa ser comentada é: Zack Snyder. Uau. Mesmo depois de passar por problemas familiares e ser afastado do filme, dando lugar a Joss Whedon, Liga da Justiça tem a sensação de ser um filme do Snyder. O mais curioso é que em alguns momentos, é bem paupável o toque do Whedon no filme e ele tem essa sensação se ser fruto de duas pessoas completamente diferentes sem ser ruim. O longa tem as melhores partes do Snyder e as melhores partes do Whedon juntos em algo coerente e sensacional.

Ben Affleck é um excelente ator (e um ainda melhor diretor) mas a decisão de tentar fazer ele fazendo piadinhas pra deixar o filme mais leve não encaixou e soou bastante distorcido do que se esperava de um Batman. Não estou falando que o Batman não possa fazer piadas de forma geral, mas ele tentar ser um Flash ou um Iron Man é muito bizarro principalmente considerando o que foi apresentado em Batman Vs Superman e Esquadrão Suicida. Henry Cavill já tinha me convencido completamente como melhor Superman em Homem de Aço mas em BvS surgiu uma certa dúvida devido a sua performance meio rasa, mas nesse filme foi perfeito. Esse Superman foi uma das melhores representações do personagem da história do cinema. A leveza, o estoicismo e até mesmo a inocência dele foi extremamente bem representada. Infelizmente, o CGI do bigode dele* acabou atrapalhando em algumas cenas por ter ficado tão óbvio na cara dele. Gal Gadot destrói novamente como Mulher Maravilha e traz toda a leveza dela da seu filme de origem muito bem.

Dos “novatos” o destaque vai pra Ezra Miller, que traz o melhor alívio cômico pro filme e faz uma mistura de Barry Allen com Wally West dos quadrinhos que encaixa perfeitamente pro longa. Jason Momoa e Ray Fisher acabaram não tendo tanto tempo para brilhar mas o pouco que eles puderam ficar eles mostraram um bom serviço.

O que nos leva ao maior problema do filme: o tempo. A Warner havia decretado que o filme não poderia passar de duas horas e esse foi provavelmente o maior fator do filme parecer tão corrido. As apresentações dos personagens novos, principalmente do vilão, junto com a mudança dos personagens velhos além, é claro, da história principal do filme acaba tendo que dividir espaço demais de tudo e não sobra tempo pra fazer tudo com a calma necessária. Eu, como fã da DC nos quadrinhos, sei exatamente o porquê de tudo que está acontecendo estar acontecendo, mas o público geral definitivamente terá problemas em entender direito as caixas maternas por exemplo. Todo o personagem do Lobo de Estepe se tornou extremamente raso por isso. O mesmo problema aconteceu em Batman Vs Superman mas partes deles foram supridas com Liga da Justiça. O único que podemos fazer agora é torcer pra esses vazios serem preenchidos com os próximos filmes.

———- ESSA PARTE TEM SPOILERS, ESTEJA AVISADO ———-

Falando em coisas que as pessoas não entenderam nos últimos filmes, Liga da Justiça finalmente joga o payback pra cena da Martha em Batman Vs Superman. Eu sempre defendi aquela cena e aqui é um bom momento pra explicar o porquê da cena ser muito boa e como ele foi colocada no filme. Se coloca na posição do Batman no momento que ele ia matar o Superman em BvS. O último pedido do cara que você está matando por não ser uma ameaça ao planeta por não ser humano (“You’re not even a man!” – Batman, BvS) é que ele salve a mãe dele. O primeiro instinto do Batman ao ouvir isso não foi de forma alguma parar e ajudar o Superman, mas foi raiva. Ele sentiu raiva por ouvir o nome da mãe que foi morta pela mesma humanidade que hoje ele defende. Mas ali, na frente dele, está um alien que é muito mais humano que ele. Batman não é um cara que se considera uma boa pessoa (“We’re criminals Alfred. We’ve always been criminals. Nothing has changed.” – Batman, BvS). Ele sempre se culpou pelo o que aconteceu com os pais dele. Quando ele vê que aquilo que ele julgava ser a maior ameaça é mais humano que ele, é óbvio que ele muda de ideia. Isso não foi do nada, não é algo inexplicável que eu to tirando da cabeça. Tá no filme. Tá na narrativa. Ele vê que ele se tornou exatamente o que tirou os pais dele. Eu sei que seria infinitamente mais natural ele falar mãe (apesar de ele também ter uma identidade secreta e eu ter quase certeza que até ali ele não sabia quem era o Superman), mas Martha atinge o Batman em níveis muito mais profundos. É o motivo da morte dos Wayne ter sido colocada pela bilhonésima vez em filme! Tá ali! É só querer olhar. E o grande payback disso tudo está principalmente na hora que o Bruce fala que o Superman foi mais humano do que ele. Que apesar de todo o poder que ele tinha, ele tinha um emprego, uma namorada, uma vida normal. O poder dele nunca passou pela cabeça. Ele era o maior exemplo de homem da Terra sem nem ser terráqueo. O nome Martha é apenas um detalhe tão minúsculo que mesmo se ele tivesse falado mãe teria sido a mesma coisa.

———- FIM DOS SPOILERS ———-

Por fim, Liga da Justiça assim como todos os filmes de super herói tem seus problemas e me entristece um pouco as restrições de tempo impostas pela Warner, mas mesmo assim consegue entregar um excelente filme. Quando eu li as primeiras críticas falando que era um filme mais leve e engraçado com um vilão fraco eu pensei na hora que seria um filme da Marvel, mas fiquei muito surpreso em ver que não foi exatamente isso, apesar de ser um pouco verdade. Me entristece um pouco o tom sombrio dos primeiros filmes estarem perdendo espaço pra entrar na fórmula porque era a identidade do universo e não era necessariamente ruim por isso.

Nota**: 9,5/10

* Pra quem não sabe, Henry Cavill está gravando Missão Impossível 6 onde ele precisa do bigode e por causa das datas, foi necessário remover digitalmente ele.

** Eu dei tudo isso por que eles mereceram uns pontos devido a toda treta que foi a produção do longa. Mas sim, é um filme muito bom.

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