Victoria e Abdul

por Amanda Leite

Nota da autora: É um daqueles filmes de assistir em casa tomando chocolate quente.

Victoria e Abdul – O Confidente da Rainha dirigido por Stephen Frears (“Philomena” e “Ligações Perigosas”) é um filme de biográfico e uma comédia dramática, lançado no ano de 2017.

Abdul Karim (Ali Fazal, “Velozes e Furiosos 7” e “3 Idiotas) e a rainha Victoria (Judi Dench, “007 – Operação Skyfall” e “Philomena”) começam uma inesperada amizade nascida durante os últimos anos do reinado da monarca. O jovem indiano viaja para participar do Jubileu de Ouro da Rainha e acaba ficando surpreso ao se encontrar com a própria Rainha. Enquanto Victoria questiona as restrições de sua posição social mantidas por muito tempo, os dois estabelecem uma aliança improvável e devotada com uma lealdade um ao outro que sua família e sua círculo íntimo tentam destruir.

Que Stephen Frears é uma lenda hollywoodiana todos nós já sabemos, mas instável. O filme têm uma história repleta de pontos a serem discutidos e que apesar de serem do século XIV são extremamente contemporâneos. O diretor tenta fazer uma construção rasa e totalmente caricata daquele ambiente real, forçando a barra para uma comédia a partir desses elementos.

A história de Victoria e Abdul envolve questões de xenofobia e desigualdade social/racismo e em vez de se aprofundar nesses pontos acaba se limitando a toda a novela mexicana: a Rainha que é amiga de um indiano e todos próximos a ela estão tentando destruir com planos malvados. Pronto, essa é a fórmula. E de vez de aproveitar todo o maravilhoso time envolvido na produção e explorar sentimentos utilizando fortes diálogos e cenas que nos levem a catarse, o diretor optou em se manter acomodado nessa “relação proibida” e um ambiente cômico, com uma falsa profundidade, como na frase “A vida é como um tapete, onde os fios precisam ser entrelaçados para criar um chão”, ficando claro a vontade de emplacar algo e o falso aprofundamento.

Bom, pode parecer que com toda essa fala o filme é ruim, mas não é. O filme tem uma atmosfera leve, com piadas não apelativas e que consegue construir e concluir, mesmo que de forma rasa, toda a história. É incrível (como sempre) que ao nos depararmos Judi Dench a atriz não decepciona e consegue entregar uma rainha mimada, que em meio a um ambiente ganancioso e vaidoso, acaba criando empatia e um sentimento fraternal por quem era a escória da época, o seu Munshi Abdul Karim. E que esse, interpretado por Ali Fazal é altamente apaixonante[1], tem uma forma totalmente graciosa e inocente de ver o mundo. A união desses dois é a melhor parte do filme e que ambos conseguem deixar bastante evidente os sentimentos que um tem pelo outro.

Com algumas tentativas de cenas icônicas (como a dançada por ambos), uma caracterização impecável, uma comédia suave e uma fotografia esplendorosa, Frears deixa aparente sua influência dos filmes da Era de Ouro[2], e entrega mais um filme “feijão com arroz” e prazenteiro.

Nota: 6.5/10

[1] É gratificante você ver a evolução do Ali Fazal.

[2] Filmes hollywoodianos produzidos durante os anos 20 aos anos 60 nos Estados Unidos.

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