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por Daniel Odon

O filme Terapia de Risco (Side Effects), dirigido por Steven Soderbergh, traz um rico elenco com Jude Law, Channing Tatum, Catherine Zeta-Jones e Rooney Mara. Após grandes produções como Contágio, O Informante e Erin Brockovich, o diretor Soderbergh lança Terapia de Risco em tom de despedida das telas de cinema. A presente obra retrata os complexos e misteriosos efeitos colaterais de potentes remédios antidepressivos e sua eventual ou possível correlação com (re)ações criminosas.

Após cumprir uma pena de reclusão de quatro anos, Martin (Channing Tatum) sai da prisão e retoma sua vida ao lado de sua frágil e depressiva esposa Emily Taylor (Rooney Mara). Depois de tentar suicidar-se, Emily passa a se consultar com o bem-sucedido psiquiatra Jonathan Banks (Jude Law), que lhe prescreve alguns remédios antidepressivos. A aproximação entre o Dr. Banks e Emily ganha um conteúdo praticamente paternal e sua preocupação em curá-la o faz procurar sua antiga psiquiatra, Dra. Victoria Siebert (Catherine Zeta-Jones).

Indisposta e insatisfeita com as drogas prescritas, Emily se encanta com a propaganda de um novo antidepressivo disposto no mercado, Ablixa, e induz o Dr. Banks a receita-los. Pouco a pouco, Ablixa vai conferindo novo ânimo e energia a Emily, mas também lhe dá ocasionais episódios de sonambulismo.  Certo dia, ao chegar em casa, Martin surpreende-se ao encontrar Emily sonâmbula preparando o jantar que, no primeiro impulso e com visual aterrorizante, o ataca com a faca que cortava tomates, matando-o.

O homicídio logo é levado à mídia e tribunal com a polêmica sobre a real existência do intento e consciência criminosa. Se Emily tinha consciência sobre o que fazia, a responsabilidade penal recairá sobre ela, se não, Dr. Banks passa a ser o responsável pela morte por ter prescrito a droga Ablixa. A trama do filme centraliza-se nessa dicotomia parcialmente insolúvel, enquanto o mercado financeiro apresenta um dado reacionário que passa despercebido para muitos, exceto para Dr. Banks: à medida que as ações da Ablixa caem vertiginosamente no mercado, outra droga em particular desponta e assume a liderança econômica.

Esta reação mercadológica traz à reflexão de Banks o cenário conhecido na sociedade americana como Janela de Overton (Overton Window). Com obra literária de mesmo nome, o jornalista do New York Times, Glenn Beck, explica que este evento ocorre quando alguém cria um factoide de grande vulto econômico e intencionalmente maquia e esconde sua divulgação ou notória publicidade por alguma tragédia concomitante que absorve a atenção do público, fazendo o verdadeiro ardil passar despercebido. Essa perspicácia faz Banks percorrer outro caminho nas suas investigações e tentativas de elucidar o que realmente ocorreu e é justamente esta nova trajetória traçada que torna o filme interessante.

O apelo para os cuidados com os efeitos colaterais e aliciamento das propagandas convidativas das indústrias farmacêuticas é astutamente invocado pelos olhos do cinematógrafo Peter Andrews, que é o próprio Steven Soderbergh por detrás de um pseudônimo. Essa polêmica emergente cria no espectador o pensamento preventivo e reflexivo sobre o mundo financeiro que há nos bastidores da seara farmacêutica. A narrativa do longa metragem, portanto, é bem montada e inteligentemente contada, o que, na opinião deste humilde crítico, confere a melhor opção de estreia da sétima arte para esse fim de semana.

 Nota: 8/10

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