Por Fernando Booyou

A Guerra respeita os acontecimentos anteriores. O planeta foi tomado por um vírus criado em laboratório e que quase erradicou os humanos, mas que em contato com os macacos desenvolveu o intelecto dos mesmos, tornando-os seres racionais, mas sem perder o lado selvagem. Os sobreviventes culpam os símios pelo ocorrido. Coincidência ou não, aqui no Brasil a falta de informação também fez com que macacos fossem mortos, pois a população acreditava que os animais eram responsáveis pela transmissão da Febre Amarela, enquanto que, na verdade, eles estavam apenas sendo contaminados, fazendo deles duplamente vitimas. Na ficção, a relação não é diferente e serve para intensificar o ódio e motivar os soldados.

Talvez o ponto que mais distingue a direção de Matt Reeves (também diretor do Planeta dos Macacos – O Confronto) dentro de toda a longa história da obra, foi ter colocado de vez os primatas como o centro da narrativa. O ponto de vista central é o de César (Andy Serkis, o maior interpretador de macacos e Gollums do cinema), que tenta proteger sua família e comunidade ao mesmo tempo que lidera seu povo contra um exército humano comandado pelo temido Coronel (Woody Harrelson). Quando digo comunidade e não toda a raça, aqui cabe a perseverança americana de se denominar como o centro do universo. Desde sempre, fica claro que o planeta inteiro foi contaminado. Portanto, há sobreviventes e também macacos em outros lugares da Terra. Mas tudo é mostrado como se o destino de ambas espécies dependesse deste micro acontecimento que só influencia aqueles que ali estão envolvidos. Em contradição, existem outros exércitos humanos e César encontra um novo chimpanzé, Macaco Mau (Steve Zahn), que de mau tem nada, sendo o alívio cômico por conta de toda sua inocência. Como fomos obrigados a assistir na versão dublada e depois de 1 hora de atraso, fica difícil dizer se os macacos estavam bem, uma vez que aquilo já era a dublagem da dublagem. Pelo menos os efeitos visuais e captura de movimentos garantem a imersão.

O filme se chama A Guerra, mas se perde em sua proposta. Tecnicamente, não existe uma guerra em si, mas sim confrontos (o nome do segundo filme deveria ser do terceiro. Problemas com tradução e também de escolhas de nome). César faz de tudo para manter a paz, evitando matar os inimigos e sempre tentando deixar claro que a desavença entre espécies (que até onde se sabe só acontece ali, porque no resto do mundo pode haver macacos ajudando humanos) começou por conta do gorila Koba, que já morreu. Já o Coronel tem suas convicções que fazem o espectador pensar se não faria o mesmo. Ao mesmo tempo que também se perde em seus objetivos. Ele tem outra ameaça mais iminente, mas é como se a ameaça só tivesse importância depois que ele resolvesse seus problemas com os macacos.

O caso da Febre Amarela não é a única semelhança com a realidade. Matt Reeves insere os animais em outros contextos já vividos pelos humanos. O diretor tenta abordar todos os lados de uma guerra, o que altera o ritmo do filme quando sai do combate e coloca os macacos em um equivalente dos judeus na mão de nazistas, sendo escravizados, humilhados, torturados. Tudo na medida para fazer você, sem perceber, torcer para os macacos e querer a morte da sua própria espécie. O resultado é um início frenético, mas que faz o filme frear do meio para o final mais apoteótico. Planeta dos Macacos – A Guerra tem suas reviravoltas. E também suas previsibilidades. Mas deixa aquela vontade de querer ver uma continuação, o que seria o verdadeiro primeiro filme, mostrando o último humano que está no espaço achando que caiu em um outro lugar da galáxia, sem saber que está em seu próprio planeta que agora é dos macacos.

Nota 6,0. Talvez a versão legendada seja melhor.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s