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por Daniel Odon

A comédia romântica francesa “A Datilógrafa” (Populaire), produzida por Alain Attal, traz ícones do cinema europeu, como Romain Duris (cogitado a se tornar uma estrela hollywoodiana por volta dos anos 2000) e a formosa Déborah François. Esta obra do cinema europeu possui uma linhagem de produção cinematográfica bem distinta da estadunidense, uma vez que a comédia e o romantismo são mais comedidos e adaptados ao estilo recatado de vida européia, despojado de efeitos digitais sonoros ou visuais e do humor escrachado, irreverente e ostensivo do modelo americano.

O filme se ambienta no final da década de 1950, quando a aventureira e ambiciosa jovem de 21 anos, Rose Pamphyle (Déborah François), larga a vida e costumes interioranos da Baixa Normadia e vai para a cidade grande tentar a sorte. Como seu contratempo na adolescência era brincar na máquina de escrever de sua família, o único conhecimento que levou para a cidade foi a datilografia rudimentar. Assim, se candidatou à seleção de secretária do escritório de seguros do galã Louis Échard (Romain Duris).

O filme bem demonstra que, naqueles anos, a profissão de secretária era disputadíssima e glamurosa, dava à suas pretendentes um considerável status social. O jeito simplório e estabanado de Rose e a velocidade com que digitava usando apenas os dedos indicadores das mãos chamou a atenção de Échard, que a contratou imediatamente. Como Échard era uma atleta inveterado, possuía um histórico desportivo e uma veia competitiva bastante contundente, que o fez ignorar a péssima habilidade de secretariado de Rose e prospectou a possibilidade de torna-la a datilógrafa mais veloz do mundo. Porém, para começar seu ambicioso projeto, precisaria antes competir nos campeonatos de datilografia que corriam a Europa.

Rose e Échard, então, focados em vencer os campeonatos de datilografia, iniciam uma série intensa e diversificada de treinamentos para faze-la uma candidata apta ao título de campeã. Pouco a pouco e sucessivamente Rose vai ganhando títulos locais, municipais, regionais e nacionais, à medida que seu nome vai ganhando fama na França e seu envolvimento com Échard vai progressivamente adquirindo novos tons de intimidade. Com o passar do tempo, Rose passa a ser cogitada como melhor nome para derrubar a invencibilidade do título de datilógrafa mais veloz do mundo que pertence a uma norte-americana.

“A Datilógrafa” é um filme agradável de se assistir porque enaltece a simplicidade da vida e proporciona uma diversão inocente extraída de uma estória sem malícias. A atmosfera de ingenuidade tecnológica da época transforma uma competição de datilografia em um dos eventos competitivos mais esperado e acompanhado pari passu pelo público, que curtia seus momentos basicamente nas rádios e nas poucas televisões disponíveis. É um entretenimento sadio e altamente recomendado para os amantes da sétima arte, um bom programa de final de semana para toda família.

Nota: 8/10

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