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“No meu planeta, este S é o símbolo da esperança.” A frase do Super-Homem de Henry Cavill para a forte e decidida Lois Lane de Amy Adams em “O Homem de Aço” explica mais do que o famoso brasão que o herói carrega no peito. O longa de Zack Snyder estreia na sexta-feira, nos Estados Unidos (e só no dia 12 de julho no Brasil), cercado de expectativas para além de sua trama, largamente conhecida. Além de reanimar a franquia do super-herói, combalida após o fracasso da versão de Brian Synger, de 2006, o filme tem a obrigação de funcionar como gancho para o aguardado longa-metragem da “Liga da Justiça”. O grupo de heróis da DC Comics, que reúne ainda Batman, Mulher-Maravilha e The Flash, entre outros, funcionaria exatamente nos moldes do que a rival Marvel fez com seus “Vingadores” em 2012, filme pelo qual faturou mais de US$ 1,5 bilhão no mundo todo.

— Não há nada totalmente certo, mas, pelo visto, o filme da “Liga da Justiça” depende do desempenho de “O Homem de Aço”. Acho que ainda temos mais a contar sobre o Super-Homem e não tem como a “Liga da Justiça” existir sem ele, né? Não dá para fazer um filme desses deixando as origens dele para trás, e foi isso o que fizemos — conta Snyder, em entrevista ao GLOBO, quase sem voz por conta dos eventos de divulgação do longa, que custou em torno de US$ 225 milhões.

História modernizada e com mais ação

Diretor de “Madrugada dos mortos” e também das adaptações dos quadrinhos “Watchmen” e “300”, Snyder deposita parte da esperança de um futuro melhor para a franquia em Henry Cavill, o ator escolhido para envergar o manto azul (dessa vez mais escuro e sem a cueca vermelha por cima da calça), encarnando o herói na fase adulta (outros três atores entre 9 e 13 anos representam a infância do personagem). Aos 30 anos, Cavill gosta de contar que quase estrelou a adaptação anterior do Super-Homem para as telas, de 2006. Perdeu o papel em “Superman — O retorno” para Brandon Routh. Dirigido por Bryan Singer (“X-Men”), o longa foi considerado um fracasso por quase não pagar os cerca de US$ 400 milhões investidos. Para o ator, ter vivido o Super-Homem naquela época seria totalmente diferente.

— Apesar de ter a mesma essência, aquele Super-Homem era mais juvenil, mais imaturo, e eu mesmo já passei por muita coisa desde então. Nós estamos falando de… oito, nove anos atrás? Para mim, atuar é experiência e hoje a empatia que tenho pelo personagem é mais forte. Justamente por eu ter passado por muitas coisas e ter tido a chance de refletir sobre elas — explica Cavill, com direito a todo o sotaque britânico que foi obrigado a atenuar para encarnar o rapaz americanizado vindo de Krypton.

Nerd de carteirinha (usava, na entrevista, um cinto com fivela de “O Império contra-ataca”, episódio de “Star Wars”), o diretor Zack Snyder tem em “O Homem de Aço” a responsabilidade de recomeçar tudo do zero. No ano em que o super-herói mais famoso do mundo completa seu 75º aniversário, Snyder, de 47, precisou modernizar e adicionar mais ação à história contada na primeira leva de filmes sobre Kal-El/Clark Kent. A mais clássica delas sendo a série que começou com direção de Richard Donner, tendo Christopher Reeve no papel principal e lançada a partir de 1978.

— Já me perguntaram se o Super-Homem é legal, e eu sempre respondo: “Fazer a coisa certa não é legal?”. Esse filme explica os porquês desse homem, as decisões que ele toma. Não dá para pular a parte da educação que os pais terrenos dão para ele, porque senão você não identifica os motivos das atitudes dele quando adulto. Para mim, o mais importante não era mostrar Clark Kent quando criança e sim o que Jonathan Kent (personagem de Kevin Costner) ensina a ele. Assim, você vê suas cenas já como Super-Homem e se liga: “Ah, então é por isso que ele está agindo assim”.

Junto do produtor Christopher Nolan e do roteirista David S. Goyer, os responsáveis pela mais recente trilogia de filmes do Batman, Snyder sempre esteve consciente do peso de mexer em uma história famosíssima e cheia de fãs apaixonados. Consciente a ponto de cogitar recusar a milionária oferta dos estúdios Warner, que reuniu grandes nomes como Russell Crowe, Michael Shannon, Diane Lane e Lawrence Fishburne.

— Quero ver um filme do Super-Homem de que eu goste e minhas expectativas são maiores do que a de qualquer um. Sou um desses fanáticos por quadrinhos, então pensei que se eu me sentisse o.k. fazendo esse filme, as outras pessoas também se sentiriam assim — explica Snyder.

Ao trazer de volta o General Zod (vilão interpretado por Terrence Stamp em 1978 e dessa vez encarnado por um amedrontador Shannon), Snyder quis que o Super-Homem enfrentasse riscos reais.

— Quando você tem um super-herói quase invencível, é bom que o vilão seja alguém que represente uma verdadeira ameaça física para ele. Quando o Super-Homem descobre Zod, ele está, na verdade, se descobrindo. Eles vêm do mesmo lugar, têm os mesmos poderes e Zod tem a vantagem de afetar a moral do Super-Homem. Ele diz: “Nós somos a mesma coisa! Você não vai se juntar a mim, vai preferir ficar ao lado desses humanos? Eles são um saco!”. Fisicamente e psicologicamente, ele é um bom inimigo para o Super-Homem — justifica o diretor.

Shannon faz coro:

— Todos eles: Jor-El (Crowe), Kal-El, Zod têm esse poder extremo que deveria servir para facilitar a vida e não é isso o que acontece. No fim, eles lutam como qualquer ser humano, nada é fácil para eles.

Apesar de (inevitavelmente) ter muitos pontos em comum com os filmes anteriores que abordam as origens do Super-Homem, Snyder se arriscou bastante ao mudar aspectos da mitologia do extraterrestre disfarçado, vindo de Krypton.

— Resolvemos trabalhar como se não houvesse outros filmes. Por isso não se ouve o tema de John Williams nenhuma vez ou mesmo usamos a cueca vermelha por cima da calça. Acredite em mim, eu sou fã dela e queria muito que o uniforme clássico funcionasse, mas eu honestamente não consegui fazer isso. Eu tentei, eu juro! — brinca Snyder. — Aquele uniforme é resquício de uma outra era. Quando o Super-Homem foi criado, sua roupa foi baseada num figurino circense, num competidor de luta-livre, greco-romana. Ele precisava de adaptações.

Fonte: O Globo

 

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