20 anos depois da publicação do primeiro livro do bruxo mais famoso do mundo, Harry Potter ainda conquista muitos corações até hoje. E não é por menos. É uma saga que cresceu junto com o público, tanto em tamanho quanto em temática. Cada nova iteração na história de Harry, o mundo ficava mais sério e adulto, as consequências aumentam e o mundo se torna mais “realista” (no limite do possível, obviamente) e tudo isso de forma orgânica e bem elaborada. E é uma boa história, com personagens cativantes, um universo interessante. Com uma nova sequência de uma nova saga do universo bruxo vindo para os cinemas em 2019, vamos relembrar alguns pontos da saga que marcou (e ainda marca) tantas pessoas. PONTO MUITO IMPORTANTE: Esse artigo é sobre os FILMES de Harry Potter. Os livros NÃO IMPORTAM aqui. Os livros são uma outra discussão e devem ser separados dos filmes.

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Com certeza o filme mais leve dentre os 8 da saga principal, a Pedra Filosofal faz uma aposta muito grande em atores mirins desconhecidos e os coloca para contracenar com gigantes da indústria como Maggie Smith, Alan Rickman, John Hurt e Richard Harris. É claro que não dá pra esperar uma atuação nível Oscar deles, mas é incrível o quão bem eles conseguem se virar. A direção de Chris Columbus tem muito a acrescentar nesse filme também. O subtema de bullying nesse filme é feito de forma maravilhosa. Harry viveu a vida inteira sendo sofrendo bullying do primo dele e qual é a primeira coisa que ele faz quando ele vê isso acontecendo com outra pessoa? Ele defende ela. Inclusive na parte que ele tem a oportunidade de ser o bully (na primeira cena dele com o Malfoy) ele decide ser maior que isso. Os efeitos para 2001 estão espetaculares, principalmente na cena do Quadribol. Convenhamos, a J.K. Rowling inventou um esporte num mundo fictício. As regras podem não fazer tanto sentido? Claro. Pode ser absurdamente perigoso para crianças praticarem isso? Com certeza. Infelizmente é nesse filme que começamos a ver um tema que é recorrente em todos os filmes: a irresponsabilidade dos adultos com as crianças. Sério. Duas crianças de 11 anos que até aquele ponto parecem que só aprenderam a fazer um objeto flutuar resolvem ir brigar com um monstro gigante e poderoso que, citando o próprio filme, nem mesmo alguns adultos vivem pra contar história depois de enfrentar. O que os adultos fazem? Dão recompensas pra eles! Porque o certo nessas situações é incentivar não é mesmo? Não. Não é. Não façam isso galera. Isso sem contar que o Hagrid sabia que eles iam procurar a pedra filosofal depois de descobrir como passar do Fofo e ele basicamente deixa isso quieto. E é óbvio que eles foram recompensados por isso também.

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A Câmera Secreta aumenta um pouco o tom mais escuro para a série sem mudar completamente a água pro vinho (que é o que acontece se você pegar o primeiro e o último filme isoladamente). A cena do Harry entrando na casa dos Weasley é simplesmente genial em tudo que ela representa. A coisa que Harry mais deseja nesse ponto da vida é apenas uma casa com pessoas decentes que se amam. Ele não se importa com riquezas (apesar de que, do ponto de vista de alguém que viveu a vida como um trouxa, ele nem deve compreender o porquê dos Weasley serem pobres, mas beleza). Harry é um dos personagens mais “Superman” no que tange a ser um modelo para as crianças. Beleza, ele mente pros adultos e quebra as regras direto, mas tirando isso ele sempre acaba fazendo as escolhas certas pra ser alguém maior. E o CGI do Dobby pra 2002 é algo que simplesmente dispensa comentários. A petrificação como alternativa pra morte foi uma excelente ideia pra aumentar os riscos ainda mantendo um filme para crianças, mas a execução deixa um pouco a desejar. Todos que foram petrificados não morreram por incríveis coincidências que tiram a ideia de perigo do filme.

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Com certeza a mudança mais radical de tom dos filmes foi de Câmera Secreta para Prisioneiro de Azkaban. E meu deus. Que. Filme. Foda. Em primeiro lugar sem dúvidas na minha lista de melhores filmes de Harry Potter, a direção de Alfonso Cuáron é genial. Todos os longshots (cenas filmadas direto sem cortes) são excelentemente colocados e as transições são sensacionais e significativas. Aquela cena que o Arthur Weasley vai falar pro Harry não se meter com o Sirius é genial. Ele começa que ele passa de um lugar claro pra um lugar mais escuro (corroborando com a mudança do tema da conversa e do tema geral do filme) e a câmera fica posicionada numa forma que enaltece o cartaz de procurado do Sirius, dando mais ainda a sensação de que ele é um cara perigoso, alimentando de forma subconsciente do plot twist do filme. E é o filme que o Harry finalmente se impõe diante dos tios! Isso é muito reconfortante de se ver. Não tem como não ficar feliz vendo a Guida voando pela rua. O tom mais escuro do filme é percebido desde o início onde parece que o Harry fica sem esperança ao sair da casa dos tios até o final, que é o primeiro final que não é alegre, diferentes dos primeiros filmes. Apesar da última cena ser o Harry feliz com a Firebolt, ele sabe que meio que nada fez diferença e o vilão principal da história saiu livre. Outra coisa que é interessante de ver é como a Rowling trata licantropia (doença de lobisomem) como uma doença e não como uma inconveniência na lua cheia (que gerou uma teoria MUITO daora do Draco ser um Lobisomem do quinto pro sexto ano em Hogwarts, sério! Leiam essa teoria!). É visível o quanto o Lupin vai ficando doente nas cenas que se aproximam de sua ausência, apesar do plot twist dele ser um lobisomem ter ficado muito na cara. Infelizmente esse não foi o único plot twist que ficou na cara. O fato do Pettigrew ainda estar vivo surpreendeu muito pouco principalmente depois da cena quase que desnecessária do Harry seguindo ele no Mapa do Maroto. Nem sei se vale a pena falar em toda a treta que envolve viagem no tempo e como é meio que visível que Rowling se encurralou nisso e tirou completamente do resto da história. Eu não vou nem falar de como é simplesmente FODA ver Alan Rickman e Gary Oldman contracenando juntos.

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Talvez uma das maiores produções do ano e o começo dos gigantescos cortes que deixa a galera dos livros com muita raiva, O Cálice de Fogo é o primeiro filme em que as consequências de fato atingem uma morte. Talvez não seja tão significativa pro espectador a morte de Diggory por ele só ter se apresentado nesse filme (tá, eu sei que teoricamente é ele como apanhador na cena sensacional de Quadribol no terceiro filme mas não conta né?). E isso não é algo ruim de forma alguma. Pensando na forma que os filmes foram feitos pensando numa audiência que está amadurecendo (isso veio dos livros originalmente, óbvio), colocar uma morte muito impactante logo de cara não faz muito sentido e ajuda de certa forma a amenizar o impacto de certa forma para as mortes mais impactantes no futuro. O espectador agora sabe que pessoas podem morrer nesse universo e que o mundo é bem mais cruel do que era antigamente. A morte dos pais do Harry no primeiro filme não conta pra isso justamente porque a morte deles serve de outro propósito. Não é para causar um impacto, e sim para contar a origem. Aqui é onde a mudança de Dumbledore faz mais efeito. No terceiro filme, Michael Gambon ainda tenta de forma mais sutil ser um pouco mais calmo e reservado como Richard Harris era no papel, mas no quarto filme vemos um Dumbledore mais raivoso e talvez um pouco mais digno do título de “única pessoa que Voldemort não brigaria”. No segundo filme, Richard Harris teve UMA única cena em que ele mostrava de fato porque Dumbledore era quem ele era. Na maioria das vezes, eram as outras pessoas que falavam que Dumbledore era cabuloso. Ralph Fiennes destrói como Voldemort e acaba fazendo exatamente o que Dumbledore não consegue em suas primeiras aparições: se impor como grande bruxo sem depender de outras pessoas falando dele. Em defesa de Dumbledore, isso é muito mais difícil quando você não é um sádico psicopata querendo dominar o mundo.

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A Ordem da Fênix é um dos filmes que mais removeu conteúdo do livro para a adaptação. Eu também fico meio triste em não ver a F.A.L.E, ver o drama do Quadribol (que é uma das melhores partes do livro) mas como eu disse antes, os livros não importam pro filme. O filme tem que contar uma história fechada por si só, sem depender dos fãs que leram os livros saberem os detalhes do porquê de algo ter acontecido da forma que aconteceu. Quem diria que logo depois da volta do maior bruxo das trevas de todos os tempos, a maior ameaça da maior parte do filme seria da Umbrigde? Com certeza uma das melhores vilãs da série muito por causa da atuação de Imelda Staunton. Todas as bombas de ameaças que ela manda no filme inteiro dando uma risadinha infernal dá nos nervos de qualquer um. Mas mesmo ela sendo uma personagem tão bem elaborada, ela ser a maior ameaça no filme inteiro acaba sendo um dos piores da série. 70% do filme é pra contar a história de como a Umbrigde era uma pessoa horrível. Até mesmo uma das cenas mais épicas de toda a série (a luta do Voldemort contra o Dumbledore) fica meio em cheque por ser algo que o espectador teve que esperar tanto pra acontecer sendo que a maior parte da história não tem nada a ver com isso. Esse talvez seja o único que não soube evoluir bem a evolução do tom da série. No filme inteiro tem uma ou duas cenas divertidas como nas primeiras partes e talvez seja o único que realmente merecia ser dividido em duas partes para contar melhor a história. No que tange a mortes, a morte de Sirius é um peso muito grande, principalmente no que isso significa pra Harry e esse peso é muito bem passado nas últimas sequências da história.

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O sexto filme sofre do mesmo problema do quinto na questão de foco na história principal. Eu sei que é assim que está no livro, por favor não me odeie, mas em um mundo onde o maior psicopata do mundo está atrás de você, é muito difícil ficar perdendo tempo com romancezinho dos outros não é mesmo? Isso não é porque o livro não tem história pra contar longe desses romances bestas. Tem e muito, principalmente na história do Tom Riddle, mas como eu falei isso não importa. No geral, tanto esse quanto o quinto são filmes que contam histórias completas por si só. Nesse filme, a repetição da história de que Harry sempre está errado sobre alguém (que já estava ficando meio chato) é meio que cortada por ele “acertar” (nos limites do filme, obviamente) sobre Draco e Snape e isso foi bem legal. Na questão de tom de filme, por mais que a morte desse filme fosse uma das mais chocantes, o tom geral foi bem mais leve do que o de Ordem da Fênix. A parte do Quadribol foi um pouco decepcionante principalmente porque foi algo que foi deixado de lado nos filmes anteriores e a retomada foi até um pouco forçada. Falando em forçado, precisamos falar de Hermione e Rony. Reforçando mais uma vez que os livros não importam. Em algum momento eles tiveram alguma química? Algum momento onde um olha no olho do outro por um tempo um pouco maior que o normal que fosse? Alguma vez eles já passaram esse ar de será que eles vão, será que não? Não né? Pois é.

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Como eu falei ali em cima sobre o quinto filme, eu tenho fortes dúvidas se Relíquias da Morte deveria ter sido dividido. A primeira parte perde muito tempo com cenas inúteis e o filme inteiro parece ser apenas um setup para a segunda parte, destoando muito dos outros que descrevem arcos completos por si só. Cenas como o Harry e a Hermione dançando em um filme dividido em dois deixaram essa impressão. Dito isso, o filme até tenta se manter fiel ao material de origem e, não me odeiem tanto por isso, isso acaba prejudicando o filme. Talvez algumas partes pudessem ser cortadas e toda a trama pudesse ter sido resolvida em um único filme de 3 horas e pouco. Com a popularidade que a série tem, eu duvido muito que um filme muito grande traria prejuízo. Uma das coisas mais legais que o terceiro filme faz (já deu pra notar que é o meu favorito, né?) é adicionar pequenos detalhes que não estão nos livros. A cena dos meninos da Grifinória brincando com uns feijões pode não ser um bom exemplo por não ter servido tanto pra história, mas serviu pra desenvolver um pouco os personagens. Isso é o que falta na direção e roteiro dos últimos filmes. Coragem pra fazer alterações que não mudam a essência da história mas mudam como ela é contada. As conclusões românticas são bem insatisfatórias mas como vieram de filmes anteriores (mais especificamente o sexto) eu nem vou me adentrar muito. É impossível falar das Relíquias da Morte sem falar do banho de sangue que foram esses dois filmes. Alguns personagens se foram para alimentar um arco existente como o Moody e Dobby, mas infelizmente as mortes do Fred e do Lupin por exemplo só serviu para mostrar a brutalidade de uma guerra e acabou sendo um fim um tanto quando indigno pra esses personagens que foram tão bem construídos ao longo da série. Parece que eu não gosto das duas partes pelo texto, mas na verdade eu só tenho problema com a primeira parte, que foi pra mim o pior filme de toda a série. A segunda parte é um dos melhores filmes da série e traz uma produção muito digna pro fim dessa saga.

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Por fim, não posso fazer um especial de Harry Potter sem comentar sobre o spin off Animais Fantásticos e Onde Habitam. Sempre que se revisita uma série (prequel, sequel, in-betwee-quel ou spin off) as coisas precisam parecer velhas e novas ao mesmo tempo, variando de acordo com o tipo de filme. O filme consegue realizar bem essa proeza fazendo com que o universo onde ele se encontra seja respeitado e levando uma trama um tanto quanto distante do que já foi visto, dando vida a novos personagens e novos lugares e o mais importante: os próprios animais. Apesar da franquia principal ter entrado um pouco com dragões e hipogrifos, o filme expande o universo de animais de maneira fantástica (sem trocadilhos). Não é um filme de Harry Potter. Não tem que parecer um filme de Harry Potter. É um filme no mesmo mundo. Eddie Redmayne mostra todo o seu talento como Newt fazendo um personagem estranho, porém com enorme carinho por seus animais. Dan Fogler foi uma grande surpresa pra mim, pois eu não conhecia ele. Ezra Miller foi simplesmente incrível mostrando uma gama enorme de sentimentos em poucos momentos. Definitivamente uma recomendação para fãs e não-fãs de Harry Potter. Meu problema com o filme acabou sendo as ações que iniciam a trama ou certos conflitos. Pareceram coisas clichês ou forçadas demais, porém o desenvolvimento delas acaba valendo a pena.

Por fim, é muito claro o amor das pessoas por Harry Potter. E por muitos bons motivos. É uma história muito bem contada e os filmes foram muito bem representados, com produções magníficas de forma geral e atuações muito boas de atores que, assim como os espectadores, cresceram com os filmes. Se você vive num iglu em Júpiter e ainda não viu, pare tudo que está fazendo agora e vá fazer uma maratona. E você, ser normal que já viu? O que espera da continuação de Animais Fantásticos que vai estrear ano que vem? Concorda com os meus pontos sobre a série? Discorda e me odeia pra sempre? Deixe seus comentários aí em baixo!

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