Por Fernando Booyou

Feito para fazer chorar, Extraordinário aborda assuntos atuais com bastante otimismo.

É o filme da estação produzido para fazer chorar. Abordando pontos até importantes para os dias de hoje, como bullying, aceitação, educação, amizade, Extraordinário não é necessariamente um filme que faz jus ao nome. Talvez um exagero da tradução do original Wonder – Maravilha, que é mais condizente até com o livro que serviu de inspiração. E ainda assim, há uma imensa chance de você abrir a torneira.

O diretor Stephen Chbosky se esforça em construir um cenário emotivo. August “Auggie” Pullman (Jacob Tremblay, o Jack de O Quarto de Jack) é uma criança que nasceu com uma má formação facial. Em decorrência, ele fez 27 cirurgias reconstrutivas e carrega as cicatrizes dos anos de tratamento. O filme retrata a vida dele e de todos que orbitam ao seu redor e cada um com suas superações durante o longa.

Auggie precisa superar seu isolamento, já que estudou apenas em casa com sua mãe sendo professora, e interagir com crianças de sua nova escola. A jornada dele passa pela aceitação tanto de seus colegas de sala, quanto dele mesmo em se adaptar. Há também as brincadeiras ‘não tão maldosas’ de seus colegas, que até pegam leve para manter o otimismo, apenas o suficiente para despertar a empatia do espectador. Há também o desafio de se fazer novos amigos, de se permitir conhecer novas pessoas e de se abrir ao novo. Pontos explorados para emocionar, o esforço mais evidente do filme.

Sua mãe, Isabel (Julia Roberts) tem que enfrentar o próprio medo da transição que o filho está passando. Roberts continua sendo impecável neste tipo de papel e entrega com exato ponto cada emoção que o momento exige. Seu pai, Nate é o personagem cômico. Interpretado pelo ator comediante Owen Wilson que aparece em uma versão mais madura e com humor mais adulto. Mas sempre que aparece, vem acompanhado de uma piada. Olivia “Via” (Izabela Vidovic) é a que mais sofre no processo. Negligenciada por todos, ela é a irmã adolescente extremamente compreensiva, que precisa ser forte por si só, uma vez que entende as razões que todos se importam mais com seu irmão do que com ela. Todos são perfeitos em servir de suporte. Excessivamente perfeitos.

Há todos elementos para uma família disfuncional, mas que funciona perfeitamente apesar de tudo. O esforço de fazer emocionar é o ponto que mais incomoda no filme. Aliado com o excesso de otimismo, o filme não traz de forma acentuada os altos e baixos das situações apresentadas. A maior luta de Auggie é apenas superar o fato de ser o diferente. Ele não é menos inteligente, nem menos social. E nem tem possíveis problemas futuros que o possam atormentar. Ele é extremamente maduro para a situação. Suas falas parecem escritas para um adulto interpretar. O filme busca ser hermético e não sair da positividade. Algo comum nas produções de fim de ano, talvez uma contrapartida ao “sombrio e realista” que tem sido tendência.

Nota: 7,5/10

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