Por Fernando Booyou

 

DC tenta acertar. Mas ainda não é essa maravilha toda.

Finalmente temos a primeira super heroína da história do cinema. Primeira, porque vamos ignorar desastres passados como Elektra (que de tão ruim a Fox desistiu e voltou para Marvel, agora sucesso na série do Demolidor) e Mulher Gato, que além de ser um dos piores filmes da história da humanidade, na real é uma vilã. Teve um Supergirl do século passado que ninguém se lembra e está ali, pegando poeira em alguma locadora de filme prestes a falir e que ainda aluga VHS. Descansem em paz. E, como podemos observar, infelizmente não existem muitos filmes com super heroínas protagonistas. Sendo que todos estes ainda trouxeram prejuízo. Neste quesito, Mulher Maravilha é o primeiro feito com o cuidado de, pelo menos, não fazer feio e evitar mais um “baixo” lucro para os investidores.

Diana é uma princesa que vive em uma ilha isolada da nossa realidade e distante dos homens. Protegida de todos os males do mundo e que sonha em ser uma amazona (em tempos de “paz”), assim como todas mulheres da ilha. Mesmo impedida pela própria super-protetora mãe, ela ainda assim busca formas de se tornar uma guerreira. Ela cresce e agora é mulher. Diana (Gal Gadot) então salva a vida de Steve Trevor (Chris Pine), um dos homens que marcaram a vida da protagonista nos quadrinhos. E com isso, descobre que existe um mundo em guerra lá fora e que elas (amazonas) deveriam fazer algo a respeito, já que elas são responsáveis em deter Ares, Deus da Guerra, do mal e de tudo que existe de ruim no mundo. O Esquadrão Suicida vão dizer que foi culpa dele também. Por sinal, ficou clara a preocupação de ficar distante deste fracasso (não de bilheteria, claro. Por mais incrível que pareça, os filmes até que rendem bem). Mulher Maravilha passa longe do fiasco de outros filmes da DC. Mas também passa longe de ser um filme ousado e inovador, trazendo uma narrativa linear e totalmente clichê-lugar-comum. Sem grandes riscos, o enredo se resume em ser uma apresentação de herói da Marvel no universo DC. Mas Marvel no início, nível Thor 1 e Capitão América 1, que não parecem longas, mas sim trailers de 2 horas. Lembrando que ela já foi apresentada no Batman Vs Superman (Vs a Critica Vs o Grande Público), o que fez toda essa apresentação perder um pouco da importância que merecia.

Assim como no Capitão América, no filme temos uma Guerra Mundial sem os horrores da guerra. Tudo mostrado da forma mais superficial possível e com ferimentos hermeticamente fechados. O trauma dos projetos anteriores do estúdio reverberou até aqui. Sai toda escuridão e aquela carga pesada. A ordem foi fazer o melhor feijão com arroz sem trazer mais prejuízo para o restaurante (estúdio). E mesmo assim, recorre em alguns dos erros de seus predecessores. Fica claro que o dedo “Snyder” tocou ali (Zack, roteirista-produtor que dirigiu alguns dos outros filmes recentes da DC). Aqui, por exemplo, temos um filme inteiro apresentando a heroína para somente no final ter o real embate com o vilão. Neste caso, o motivo para postergar este encontro seria para favorecer a grande reviravolta de quem era o verdadeiro mal. Reviravolta totalmente previsível, diga-se de passagem. E assim como em Homem de Aço, Batman Vs Superman, Esquadrão Suicida, temos minutos finais de pancadaria desproporcional desenfreada com o vilão, que é tão inexpressivo quanto o Apocalipse de BvS. Com muitos raios, explosões, destruição, gastando tudo que tem direito no CG e efeitos visuais. Sem a devida apresentação, sem algum tipo de confronto e sem estabelecer uma relação direta com o vilão, reduzindo o inimigo para algo mais próximo de um chefão de fase de um jogo. Quando acontece a revelação, a sensação que dá é que alguém chegou no estúdio dizendo “daqui 15 minutos tem que encerrar porque o pessoal tem que pegar o último ônibus”. E acaba. Pode ir embora que não tem nem cena pós-crédito.

O filme perde também em explorar só pontualmente (e não constantemente) que é uma mulher “over power” em uma época em que feminismo sequer tinha espaço para debate. Ela se posiciona, claro. Afinal, foi feito para agradar todos os públicos. Mas há poucos momentos em que é evidenciado que ela é “A” Mulher! Alguém que só escuta quem ganha o respeito dela. Alguém que não se molda aos formatos impostos pela sociedade ou por qualquer homem que seja. Nas HQ, pode ser até mesmo o Presidente dos EUA que ela desce o sarrafo se ela não concordar. Mulher Maravilha é um filme comportado e que só se preocupa em fazer bonito para se pagar, sem trazer grandes conflitos, reflexões ou novidades para este novo universo, que se expande como uma cidade crescendo sem um planejamento aparente. Feito para, pelo menos, dar certo. Mas não se engane. Apesar dela depender constantemente da figura masculina do Steve Trevor como suporte para compreender um novo e desconhecido mundo, ela é independente em todos os outros aspectos. Inteligente, culta, maravilhosa! E poderosa! Ela não arrega para ninguém e nenhum! É porradeira do início ao fim, com lutas incríveis e com direito a todas câmeras lentas que Zack Snyder tanto aprova. Longe de ser perfeito, mas podemos dizer que Mulher Maravilha pelo menos já bateu em todos os homens da DC e traz o melhor (menos pior) filme do estúdio nessa nova fase.

Nota 7,0 no padrão DC. 5,0 no padrão Marvel de qualidade.

PS: não tem cenas pós-crédito.

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