por Johnny

Baseado no livro Un an après de Anne Wiazemsky, Le Redoutable, conta a história do relacionamento de Jean-Luc Godard (Louis Garrel) e a autora (Stacy Martin), desde o seu feliz e gostoso início até o triste e conturbado fim.

Apesar do filme ter como proposta ser uma biografia de Godard, o filme conta somente a história do relacionamento e no caminho massacra a imagem de Jean-Luc. Mesmo no início do relacionamento, onde as coisas deveriam parecer boas pra justificar o casal, Godard é mostrado como um ser humano horrível que não dá atenção devida a parceira em momento algum.  O longa foca apenas no pior momento da fase do cineasta, que foi a fase de transição de filmes de entretenimento para os filmes políticos.

No primeiro ato do filme, vemos a vida do casal e aos poucos a queda de popularidade de Godard ao terminar o filme A Chinesa, onde se declarou maóista para o mundo e o mundo não aceitou muito bem. Nesse ato, já é possível perceber o tom que o filme vai tomar. É um filme de comédia. Ponto. Mas não é exatamente a comédia americana com personagens irreais. É um filme pé no chão nesse aspecto (até porque conta fatos reais, né?). Mesmo sendo uma comédia, o filme agrada bastante ao colocar boas meta-linguagens e mensagens para o público, tanto de maneira sutil quanto explicitamente quebrando a quarta parede e olhando diretamente pra câmera.

O segundo ato mostra a vida política de Godard se forçando cada vez mais na vida pessoal do casal mas ainda num passo onde os dois ainda conseguem encontrar um ponto de equilíbrio pros dois. É aqui que começa o massacre da imagem de Jean-Luc, que começa a agir aos poucos como uma criança mimada em defesa da sua ideologia. O terceiro ato do filme, que mostra a destruição do relacionamento pela luta do cineasta é transitada de uma maneira orgânica e funciona muito bem pro filme.

O que talvez não tenha funcionado pra mim no filme foi alguns trechos acabam passando muito rápido pra quem não domina francês. Ler duas legendas (uma da imagem e outra da fala) fica muito complicado em algumas cenas e eu acabei saindo sentindo que perdi alguma coisa importante do filme por causa disso.

No momento atual do mundo, com as divisões de direita e esquerda, O Formidável pode acabar sendo tanto relevante quanto prejudicial pro diálogo. Eu consigo ver facilmente pessoas de direita tentando fazer paralelos entre Godard e os amiguinhos de esquerda quando na verdade, Godard é um extremo muito raro. Sem tretar com os amiguinhos galera. Paz e amor.

Nota: 7/10

 

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