Por Fernando Booyou

Reunindo veteranos do cinema, The Post – A Guerra Secreta evidencia os bastidores e a importância da notícia.

Hoje, Washington Post é referência internacional de cobertura política norte americana, muitas vezes estampado nos jornais brasileiros com matérias contundentes e furos jornalísticos que reverberam inclusive no nosso cotidiano. Mas até 1971, era apenas um jornal de fofocas que abordava eventos sociais locais ou só passando a informação que já havia sido relatada pelos concorrentes.

The Post acompanha o momento em que este impresso decide se levar mais a sério. Em sua linha editorial, o Editor Chefe Ben Bradlee (Tom Hanks) incentiva sua equipe a saber das notícias sem ser pelas manchetes dos outros meios de comunicação. Enquanto Katherine “Kay” Graham (Meryl Streep) tenta fazer o negócio de sua família crescer ao colocar sua empresa no mercado financeiro. E tudo isso dependendo de apenas uma reportagem que pode mudar os rumos do jornal.

Arquivos confidenciais de 1966 revelavam que as administrações dos Presidentes Truman, Eisenhower, Kennedy, Johnson sabiam que a derrota americana no Vietnã era inevitável e, mesmo assim, mandaram cada vez mais soldados para a morte em uma guerra perdida, sob o argumento de proteger a imagem do país ou porque nenhum deles queria assumir a responsabilidade. E foi durante a era Nixon que os arquivos foram expostos. Enquanto o New York Times, maior jornal de circulação da época, enfrenta uma ação judicial que impede a divulgação dessas informações, o Post tenta finalmente sair na dianteira e fazer uma reportagem de relevância. O filme relata os diversos dilemas envolvidos sobre essa notícia: ética profissional, a busca da informação, o processo investigativo, de expor ou não fatos importantes para o público e, claro, a liberdade de imprensa. A notícia é para atender o povo, não seus governantes.

Neste contexto, Katherine (Streep) enfrenta o machismo da época: uma mulher que luta contra sua própria insegurança ao assumir a empresa após a morte do marido, que só assumiu a empresa porque era homem, uma vez que a herdeira direta seria a própria Kay. O longa, de maneira bem branda, mostra que o crescimento da personagem ao longo do filme também impacta de forma positiva outras mulheres. Spielberg evidencia essa influência de forma sutil, sem tirar o foco central que é o Post e, consequentemente, a informação. O que evita cair no sentimentalismo ou ficar piegas. Mas também deixa a sensação de “quase lá”. Faltou o meio termo.

A trilha de John Wiiliams dá o tom jornalístico, mostrando que o compositor continua sendo o mestre vencedor de Oscar em criar climas com a música. De fato, The Post é o que se espera na combinação de diversos profissionais veteranos e premiados. E mesmo este não sendo seu trabalho de maior relevância, Steven Spielberg continua sendo um diretor de grandes obras. Um filme que mostra toda a importância da construção de uma notícia bem escrita. Assunto pertinente para os dias de hoje, período em que Fake News influenciam até mesmo nos resultados de eleições.

Nota: 8/10

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