por Ed Jr

Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman), novo filme do aclamado e polêmico diretor Spike Lee (“Faça a Coisa Certa”, “Malcolm X”), traz uma comédia baseada nos fatos reais bastante inusitados narrados por Ron Stallworth em seu livro de memórias ‘Black Klansman’, de 2014.

Em 1978, Stallworth (John David Washington, seriado “Ballers”), primeiro policial negro de Colorado Springs – EUA, se torna agente disfarçado após passar um período em meros trabalhos administrativos. Depois de se deparar com o telefone da Ku Klux Klan – organização de extrema-direita que defende a supremacia branca –, Ron decide infiltrar-se para investigar o grupo racista.

Enquanto Ron, que obviamente não poderia frequentar as reuniões do grupo, se comunicava com os outros membros da KKK através de telefonemas e cartas, seu parceiro, um policial judeu chamado Flip Zimmerman (Adam Driver, “Star Wars: O Despertar da Força”) ia em seu lugar aos encontros. Depois de meses de investigação, e de se tornar praticamente um líder da seita além de ‘amigo pessoal’ do diretor nacional da KKK David Duke (Topher Grace, “Homem-Aranha 3”), Ron se aproveita de sua posição para sabotar uma série de linchamentos e outros crimes de ódio orquestrados pelos racistas.

O elenco conta ainda com Laura Harrier (“Homem-Aranha: De Volta ao Lar”), Robert John Burke (“RoboCop 3”), Jasper Pääkkönen (seriado “Vikings”), Ryan Eggold (seriado “The Blacklist”), Michael Buscemi (“Eu os Declaro Marido e… Larry”), Alec Baldwin (“Os Infiltrados”), entre outros.

Conhecido por suas produções politizadas e majoritariamente voltadas à temática racial, Spike Lee mais uma vez apresenta uma obra biográfica recheada de críticas à desigualdade e ao preconceito, mas tudo espalhado dentro de um ótimo roteiro que acha espaço tanto para os discursos tocantes quanto para momentos de comédia/ironia.

O diretor trata o tema de uma maneira bastante atual, mostrando como o discurso racista dos extremistas foi sendo modificado e ‘democratizado’ para ganhar força no cenário político (racismo velado, ‘make America great again…’, etc). E isso tudo em um filme que se passa no fim dos anos 70!

Além disso, Lee e sua equipe tomaram todo cuidado possível para incluir a representatividade negra em todos os detalhes e de todas as formas: no elenco, nos discursos das reuniões por igualdade, na maravilhosa trilha sonora e até nos exageros dos personagens estereotipados. Outro acerto do diretor!

Por falar em elenco, John D. Washington faz um excelente trabalho, seja falando mal dos negros enquanto infiltrado, seja demonstrando repulsa às outras várias atitudes racistas que seu personagem presencia. Também merecem destaque Adam Driver (transmite muito bem a tensão e o desconforto de Flip nos encontros da KKK) e Jasper Pääkkönen (responsável por grande parte das falas e atitudes discriminatórias da organização).

Em suma, Infiltrado na Klan pode ser uma comédia, mas suas cenas de racismo, homofobia e misoginia são incrivelmente chocantes e – infelizmente – atuais. Em tempos de ressurgimento dos grupos extremistas agora com roupagem política e sob a falsa justificativa de apenas exercerem sua ‘liberdade de expressão’,  Spike Lee consegue fazer o espectador refletir sobre seu papel na luta contra qualquer forma de discriminação. Definitivamente é um filme que merece a ida ao cinema e a posterior reflexão!

 

Nota: 8,5/10

 

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