Vox Lux

Por Fernando Booyou

Juntar Natalie Portman (Celeste adulta), Jude Law (o empresário da Celeste), músicas da Sia, com narração de Willem Dafoe tem tudo para ser o bastante para valer o ingresso do cinema. A escolha de peças chaves é o ponto forte do filme. Mas, ainda assim, essa combinação não foi o suficiente para entregar a expectativa criada pelo próprio enredo.

 

Drama com sutis agulhadas de crítica ao mundo da música pop, Vox Lux foca em mostrar a trajetória de estrelato da adolescente Celeste (Raffey Cassidy, que depois interpreta bem a filha de Celeste). Com 14 anos, ela enfrenta mudanças drásticas após sobreviver a um atentado em sua escola em meados de 1999, referência ao ataque de Columbine (sem citações diretas). Momento que gera propositalmente um pouco de desconforto se considerar os recentes atentados de Suzano e Nova Zelândia. Lembrando que atentados como este são comuns nos Estados Unidos. O diretor faz questão de inserir o espectador dentro deste contexto.

 

Brady Cobert, além de ator e roteirista, se aventura mais uma vez na direção. Após sua estreia em longas com A Infância de Um Líder, Brady ainda não alcançou a maturidade. A inexperiência fica perceptível quando um som desnecessário escapa ou em momentos que falta uma melhor direção de atores. Dividido em três arcos, o filme se perde nas transições de tempo. Brady se esforça em unir momentos históricos e referências culturais de época com a jornada da Celeste. E faz isso escolhendo três momentos de vida da personagem, apostando que estes momentos são tudo que nós precisamos para entender quem ela é naquele instante, ignorando que nem todos compartilham da visão de bastidores da mesma forma de quem está dentro do bastidor.

 

Apesar da tentativa exacerbada de entregar um filme arte, Vox Lux rende bons momentos de reflexão sobre sociedade, cultura, entretenimento, relacionamentos humanos. Embora tenha sim mais uma boa interpretação de Natalie Portman (ela consegue ser desestruturada na medida para não parecer absurdo), faltou direção para colocar o olhar que rendeu o Oscar em Cisne Negro na Celeste. Com cerca de 20 anos de palco, se espera uma cantora que esteja a vontade, dominando seu espaço e público. Não uma popstar que parece ainda estar se soltando, conhecendo agora o palco. Celeste é apresentada como uma grande celebridade, mas que não dá tanta vontade assim de assistir ao show. “Devia ter esperado sair o Blu-Ray do Vox Lux”, comentário solto antes do bis e um Toca Raul.

Nota: 6,5 / 10

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