por Ed Jr.

Máquinas Mortais (Mortal Engines), produção assinada pelo trio de “O Senhor dos Anéis” (Peter Jackson, Phillippa Boyens e Fran Walsh) e dirigida pelo estreante Christian Rivers, é um novo filme steampunk pós-apocalíptico de fantasia baseado no livro homônimo escrito por Phillip Reeve.

Após a destruição de boa parte da Terra no que ficou conhecida como a Guerra dos 60 Minutos, as cidades restantes se transformaram em gigantes máquinas móveis. Conhecidas como Cidades-Tração, esses monstros de metal se movimentam em busca de recursos e lutam umas com as outras por sua sobrevivência e continuidade – as derrotadas são ‘absorvidas’ e seus habitantes incorporados à cidade vencedora.

Nesse cenário, Hester Shaw (Hera Hilmar, “Amor em Tempos de Guerra”) é uma fora da lei que tenta vingar a morte da mãe, perseguindo Thaddeus Valentine (Hugo Weaving, saga “Matrix”, “V de Vingança”), líder militar de Londres. Em seu caminho, ela cruza com Tom Natsworthy (Robert Sheehan, “Tempestade: Planeta em Fúria”), um jovem historiador que busca reinventar-se após ter seu mundo abalado. Juntos, eles precisam lutar para sobreviver e ainda enfrentar uma ameaça que coloca em risco a pouca vida restante do planeta.

O elenco traz também: Leila George (Katherine Valentine), Jihae (Anna Fang), Stephen Lang (Shrike), Ronan Raftery (Bevis Pod), Patrick Malahide (Magnus Crome), entre outros.

Máquinas Mortais parecia, desde o trailer, bastante promissor, ainda mais levando o nome de Peter Jackson entre os produtores! O filme se inicia confirmando as expectativas: belo cenário? Ok! Excelentes efeitos especiais? Ok! Perseguição entre máquinas futuristas? Ok! Infelizmente, a produção se perde após a cena inicial…

Outrora artista de efeitos especiais, o trabalho do diretor Christian Rivers nos aspectos visuais é excelente e digno de nota. Os detalhes do figurino vitoriano, as paisagens desérticas de um futuro destruído estilo Mad Max, as imensas cidades predadoras móveis… Enfim, visualmente, tudo é fantástico!

Apesar de maravilhosos, Rivers abusa dos efeitos e explora qualquer momento parecido com um diálogo para introduzir flashbacks e cenas cheias de novos elementos visuais, atropelando o desenvolvimento dos personagens. O roteiro, principal pecado de Máquinas Mortais, genérico e cheio de clichês, também coopera para essa falta de profundidade. A superficialidade com que os protagonistas são apresentados incomoda, as motivações do antagonista não são claras e o espectador em momento algum consegue sentir algo pelas pessoas na tela.

O elenco é afetado diretamente por esses problemas. O casal principal, ainda que vivido por carismáticos e promissores atores, carece de química e causa nada além de desinteresse; Hugo Weaving, excelente ator que parece ter nascido para interpretar vilões, se sai bem dentro que lhe foi proposto; e o – pasmem O.o – ZUMBI ANDROIDE Shrike, vivido por Stephen Lang, talvez seja, curiosamente, o personagem mais humanizado do filme e com certeza é um dos únicos que nos traz alguma empatia.  

Assim, a sensação final de Máquinas Mortais é de um enorme desperdício. O potencial da história não é aproveitado e a produção se apoia basicamente em seus elementos visuais. Claro que o filme ter efeitos especiais espetaculares não é uma coisa ruim, mas é muito pouco perto do que poderia ter sido.

Nota: 5/10

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