Por Fernando Booyou

Tentando encontrar uma relíquia? Domar um animal selvagem? Escapar de um templo antigo? Existe uma garota que sempre está pronta para a aventura. Baseado na animação infantil e educativa Dora Aventureira, o filme Dora e a Cidade Perdida traz em sua versão live action uma Dora (Isabela Moner) adolescente que, ao contrário da versão criança do desenho, enfrenta também as dificuldades de se relacionar em sociedade quando é inserida no contexto escolar. Contexto que só existe para inserir novos personagens e, na sequência, voltar para a trama inicial. E essa é apenas uma das mudanças feitas nessa adaptação para o cinema.

Na verdade, o filme começa com a versão criança (Madelyn Miranda) que traz referência a tudo que conhecemos do desenho: seu companheiro macaco Botas, a Mochila, o Mapa, o vilão Raposo (voz de Benício Del Toro) e até personagens secundários como seu primo Diego (Malachi Barton). E, assim como no animado, ela interage com todos como se fossem personagens reais tão humanos como seu primo. E isso dura até alcançar mais maturidade, logo no início do filme. Claro que também não falta a quebra da quarta parede ao convidar a participação do espectador. Mas, diferente do original, essas interações com o público são mais limitadas. E depois são mais espaçadas e negligenciadas. A direção oscila em não definir em qual linguagem apostar, entre ser mais próximo do original ou mais próximo do público adolescente que acompanhava o desenho quando eram crianças.

Neste longa, a adolescente Dora (que vive em uma floresta supostamente amazônica e plasticamente perfeita) precisa se adaptar a cidade grande, depois que seus pais Elena (Eva Longoria) e Cole (Michael Peña) partem para encontrar Parapata, cidade perdida que guarda uma quantidade imensurável de ouro, como um lendário El Dorado. E já que o nome não é “Dora de Volta às Aulas”, ela e seus novos amigos acabam se envolvendo nessa aventura. A solução para tornar isso possível e todas as outras soluções seguintes são, obviamente, com diversas reviravoltas previsíveis e que se prolongam até os minutos finais. O roteiro também não se preocupa com o lado educativo do original, não se importando em passar informações erradas ou imprecisas, sejam históricas, geográficas ou ecológicas da fauna e flora. Algo bem comum em produções estadunidenses. 

Como dito anteriormente, o diretor James Bobin não consegue estabelecer que linguagem seguir. Existe uma grande chance deste filme se perder no limbo de público. Além disso, não consegue definir uma boa direção de atores, prejudicando quais sentimentos, emoções, motivações cada personagem precisa expressar em determinados momentos. Dora, por exemplo, acompanha a relação de seu primo adolescente Diego (Jeff Wahlberg) e sua amiga de escola Sammy (Madelaine Madden) e, apesar do roteiro dizer que ela apoia a relação, existem momentos que sua cara é um misto de ciúmes, raiva, desprezo e outros sentimentos conflitantes com o que foi dito. 

Apesar dos altos e baixos, Dora e a Cidade Perdida tenta trazer o espírito aventureiro de clássicos como Indiana Jones, mas para um público que ainda não tem a referência do que é um filme de aventura e exploração. Talvez para o espectador mais infantil, o filme seja uma grande novidade. Tem cores, música e palhaçada suficiente para entreter os baixinhos. Já os pais terão que ter um pouco de paciência para explicar para suas crianças como já sabiam o que aconteceria ou quem seria o vilão. Isso sim será uma grande aventura.

Nota: 5,0

 

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