Review: Gostosas, Lindas & Sexies (2017)

Publicado: 14/04/2017 em C, Comédia, Criticos, Fernando Booyou, Paulo Mansur
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por Paulo Mansur e Fernando Booyou

É difícil falar desse filme. Porque eu não gostei do filme. Mas realmente não gostei.
Não gostei MESMO. Com força.

“Que força, Paulo?”

Sei lá. A força de mil sóis, com a força da gravidade de Júpiter e o martelo de Thor.

Ao quadrado.

O filme conta a história de 4 amigas, todas acima do peso. Esse é um dos pontos positivos: as protagonistas são mulheres (ponto), obesas (ponto) e a mais rykka de todas é também a mais obesa e é negra (ponto duplo).

A Ivone é rykka, cabeleireira, viciada em trabalho, super bem sucedida e dona de sua franquia de salões.
Outra (não lembro o nome) é professora de inglês, super fogosa e tá sempre se relacionando com alguém diferente.

Outra (nome?Alguém? Ok.) é uma atriz iniciante, que está sendo chifrada pelo marido.
E por último a que é, em partes, a personagem principal do filme, (chega, só lembro do nome da Ivone).
Ela trabalha em uma revista feminina dessas sempre tem uma magrela na capa.

O filme é sobre a vida delas, o dia-a-dia, a relação no trabalho e a situação amorosa.

Confesso que chegou em um momento do filme que eu pensei: “Será que estou achando esse filme tão ruim porque são quatro mulheres? Será que se fosse homens, eu gostaria do filme?”

A resposta é NÃO!

Não existe um universo possível que no qual eu tenha gostado desse filme.


Eu fiquei bem aliviado depois que uma mulher saiu da sala de cinema e eu perguntei: “que que você achou?” Ela respondeu PUTA DA VIDA: “porra de filme escroto”.


Ufa. Machistas no pasarán.

Mas não tem como. O filme é uma sucessão de clichês, frases prontas, personagens mais rasos que colher de chá, e situações criadas para depois serem simplesmente abandonadas.

Roteiro? Não tem.
Continuidade de cenas? Esquece.
Atenção aos detalhes? O seio da protagonista escapando da única lingerie que ela tem no filme todo responde essa.

E clichê. Jesus, como tem clichê.

Aliás, “tem” não. O filme é TODO clichê.

Tem cena de barraco, com porrada pra todo lado?
Tem.

Tem cena de pum no elevador?
Tem.
Tem cena de balada?
Tem
E elas dançam coreografadas?
Dançam.
É “abra suas asas, solte suas feras”?
Não. Elas são gordinhas que dançam “all about that bass”.

Tem xingamentos?

Tem. mas todos clichês: Elefante, mamute, etc.

Tem clichê familiar?

Tem.

Tem cena de mulher rezando na igreja para arranjar homem e depois ser sequestrada por um?
Tem.
E ela se apaixona por ele?

Sim.
Tem chifre?
Tem.
Depois têm #textão de perdão?

Tem.

Tem geladeira que conversa com a personagem principal, que é gorda?
Tem.
Só ela ouve?
Sim.

Mas espere, tem mais.
A geladeira tem uma personalidade que só a principal ouve.

Mas não é qualquer personalidade.
Ela é um homem gay, hiper afetado, que é louco pelo namorado da principal a ponto de gemer quando ele abre a geladeira.

Sim. A geladeira tem personalidade.

E até a personalidade da geladeira consegue ser clichê.


Exemplo Clichê 1:

No começo do filme, a principal vai à uma festa.

Vou contar essa cena pra vocês, já que vocês não vão ver o filme (por favor, não vejam)

CENA: A “mocinha” vai pra festa da amiga rykka. O namorado diz que vai depois de uma reunião. Ela é gordinha e as vilãs são magrelas.

Todas são loucas pelo fotógrafo que é clichê argentino.


A mocinha diz que não tem coragem de pegar o argentino.

Corta para as “vilãs”que batizam a bebida dela.

Ela toma a bebida batizada e fica louca. Começa a dançar sensualmente na balada. Tira roupa, desce as escadas rebolando.

Quando ela está de quatro, rebolando, um homem vem e a beija loucamente. Esse homem é…O NAMORADO DELA!

Veja bem. Não era o argentino.

Aí a gente pensa: “aaaah, mas ela ta drogada, ela ta pegando o argentino e vendo o namorado.”

Não. Era o namorado MESMO. Ou seja: a bebida batizada serviu para o mesmo que os filhos do Eike Batista. Só pra fazer número e encher espaço.

Mais pra frente no filme (tipo uns 2 anos, no nosso tempo de vida perdido) a mocinha de fato começa a pegar o argentino. E começa a chifrar o namorado.
O namorado descobre. E larga ela.

E ela culpa a BEBIDA BATIZADA por ter dado pro argentino.

Mas ela tava sóbria quando começou a pegar o clichermano.

No fim ela paga sapo pro argentino dizendo que ele foi uma perda de tempo dela. E o que ela descobrir sobre a bebida tem a ver com tudo isso? Absolutamente nada. A magia do cinema.


Exemplo Clichê 2:

Não to nem aí com o MEGA SPOILER que eu vou dar.

Depois que a Ivone (rykkkaaaa) fica rezando pra Sta Rita pra arranjar homem (clicheeee), um cara sequestra-a.

Ele sequestra ela, mete UMA ARMA na cabeça dela, amarra ela, leva pro cativeiro, OFERECE CAFÉ, oferece conhaque, ela fica soltinha, eles acabam transando (Síndrome de Estocolmo Feelings), ela acorda liberta e descobre, só no final, que o cara que sequestrou é funcionário dela, e ele a sequestrou porque A AMA.
E sabe o que ela faz?
Ela se emociona com isso e vê isso como um grande gesto de amor.

Ela não sabia que era uma “cena”. ELE METEU A ARMA NA CABEÇA DELA! Depois amarrou, embebedou e comeu!

Alô Goleiro Bruno, tá fazendo escola, hein?

 

O grande problema desse filme realmente é o roteiro, que foi comprar cigarro e nunca mais voltou. As atuações são de boa, não comprometem e, às vezes, são bem legais.

E por fim, para acabar com tudo:


Tem clichê de filme acabando com elas pulando e a cena congelando?
Sim.

Participou dessa morte coletiva Paulo Mansur, com a ajuda inestimável e para sempre lembrado em nosso corações, Fernando Booyou, para o Filmes e Tal.
PS:Booyou mandou avisar que  “o filme diz que tem duração de 90 minutos. Mas na verdade é 120 minutos, que passam a “sensação térmica” de 3 anos que nunca acaba.”

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