Por Fernando Booyou

 

Com apenas um soco, ele ganha tudo, até seu respeito. One Punch Man chega na Netflix.

Um herói. Um vilão. Herói enfrenta Vilão. Herói precisa se superar para derrotar vilão. Após muita ralação, superação e 10 capítulos para resolver cada luta, herói consegue derrotar vilão. Começa micro contos para encher a linguiça e então surge novo vilão. E o ciclo se repete. Essa sinopse serviria para qualquer anime japonês, se não fosse por One Punch Man, a lenda do herói over power que resolve qualquer combate com apenas um único soco!

Baseada na webcomic, o anime traz Saitama com uma abordagem que satiriza os shonen tradicionais. Um humano aparentemente normal como outro qualquer, mas que apenas de ter feito um treinamento pesado (pesado, dependendo do referencial), ficou até careca de tão poderoso que se tornou. Careca! Não tem cabelo que fica de pé, muda de cor e nem tem cabelo branco, estilos que usualmente personagens poderosos utilizam. Sim, ele é totalmente o não perfil de herói. Seu uniforme parece um pijama. Ele é patético. Atípico. Mas tem hora que ele é sensacional. Muda assim, na mesma sequência. Os traços do estúdio Madhouse são frenéticos (Death Note, Hunter x Hunter, entre outros até da Marvel). Estão entre fazer ele parecer um molenga em traços básicos e um herói sem limites com movimentos mega detalhados na mesma cena. A animação, assim como no mangá, varia em simplicidade e frenesi de forma totalmente orgânica e divertida. O humor é um ponto forte. Saitama, por exemplo, odeia aqueles longos discursos comuns no gênero, com personagens contando suas histórias de vida ou um acontecimento importante para o enredo. Cavaleiros do Zodíaco mesmo é cheio. Quer contar uma história? Resume tudo em 20 palavras.

Os vilões são sempre ameaças sobre humanas como Rei mais poderoso de um povo X, Líder mais sanguinário dos Y, Experimento mais monstruoso Z. Ameaças potencialmente capazes de extinguir a raça humana de uma região inteira ou do planeta. E com discursos de apresentação longos e que deixam claro que não se trata de um simples oponente. Enquanto ele se apresenta de forma simplória, como alguém que só é um herói nas horas vagas. E independente da magnitude, ele resolve com um soco. E não é um soco que simplesmente derrota. Com um soco ele explode o inimigo, ou oblitera, fragmenta, ou arranca do torso pra cima, espalha vísceras por toda uma fachada de um prédio. Seus golpes influenciam até as condições climáticas. Estamos falando de um herói que, no comecinho de sua jornada, já inicia como se fosse o Naruto com 15 anos de história. Ou como se o Goku começasse sua primeira luta já no Super Saiyajin Azul. E o melhor! Não tem enrolação. A primeira temporada são 12 episódios. E também não tem muito como enrolar. Saitama aparece. Soco. Acabou.

Ele vive de tédio, porque nunca encontra um desafio digno de sequer machucá-lo. Ele toma golpes e sua cara sempre é de que nada está acontecendo. Detalhe importante. Poucas pessoas sabem da existência de um ser vivo tão poderoso em nosso planeta. Estamos falando de uma realidade onda há um grande número de heróis e vilões. Pessoas com superpoderes imensuráveis. E ele, que demorou para se preocupar com isso, é Classe C. E seu discípulo, um ciborgue (Genos) extremamente porradeiro, com força inacreditável de destruição e que tem algumas das lutas mais lindas do anime, já entra com ranking S (a ordem do ranking é C, onde está o Mestre, B, A e S, onde está o pupilo). E Genos é um dos poucos que já presenciaram e percebem que Saitama está em outro nível. Nada representa uma real ameaça ao ser mais rápido, forte, resistente do mundo. Ele se permite ficar divagando que esqueceu de fazer compra no supermercado no meio de uma luta. O pau comendo, ele tomando porrada e a sua eterna cara de absolutamente nada.

A trilha de abertura deixa claro o tanto que é simplesmente épico. Porque tudo é megalomaníaco. Talvez a melhor música de abertura de anime. Porque é apoteótico. Guitarras e vocais anunciam o Metal. Mas em japonês. Aceite, anime sempre vai ter uma banda japonesa que canta encaixando palavras aleatórias em inglês no meio. Power! One Punch! HEROOOOOOOO!!! No Japão, eles têm um mercado só disso. De bandas que cantam temas de abertura. One Punch Man é a saga do herói com uma abordagem inovadora. Um cara que já salvou inúmeras pessoas sem nunca ter sido reconhecido por isso. Que já foi até culpado por ter feito isso. Vários acham que ele é uma fraude. Mas ele não liga nem um pouco com o que os outros pensam. E que continua em frente só porque quer ser algo maior. Herói! De passatempo.

 

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